28 junho 2015

Linhas e agulhas contra o estresse

O trabalho manual estimula a concentração e o autoconhecimento. Não por acaso, se tornou uma das atividades preferidas para relaxar a mente.


Tempos modernos e mulheres contemporâneas não combinam com linhas, agulhas, costura, crochê, tricô e bordado. Certo? Errado!

O hábito antigo – de “mulher prendada” – está conquistando as jovens, porém, com uma abordagem nova. A ideia é participar de aulas e grupos de trabalhos manuais como um hobby, para aliviar a tensão do dia a dia.


“Me sinto muito feliz. Acho que é uma forma de expressar minha criatividade e, ao mesmo tempo, de desfrutar meu tempo livre”.

A contadora Natalia Amarilla (acima), de 28 anos, sempre gostou de trabalhos manuais e, em uma conversa com uma amiga, acabou se interessando pela costura. Há oito meses ela participa das aulas no ateliê Rainhas da Costura e adora produzir suas próprias peças.

Resgatar histórias familiares ou momentos com a mãe e a avó também são fatores que levam as jovens a retomarem o contato com linhas e agulhas.



“Essa é uma geração que não aprendeu com a mãe ou a avó por falta de tempo, porque se dedicou à carreira. Agora, quer recuperar o ensino esquecido”, analisa a estilista e professora de tricô, crochê e macramê Cristiane Eloisa Bertoluci, a Cris Bertoluci (acima).



“O interesse surgiu da vontade de fazer algo para mim, com as minhas próprias mãos. Além de ampliar meus conhecimentos, é prazeroso para o corpo e a mente”.

Os trabalhos manuais fazem parte do DNA da publicitária Camila Locks (acima), 32 anos, que aprendeu a bordar aos 10 anos e a tricotar aos 15 anos por ensinamentos da mãe.

Depois, veio o crochê aos 27 anos e, há um ano, iniciou nas aulas de macramê.

Inúmeras mulheres buscam os tipos de costura por indicação terapêutica. Na opinião da Cris, estamos em uma época muito passiva, só recebemos informações e digitamos. O cérebro não se coordena mais com as mãos.

É exatamente esse aspecto que mantém Camila fiel às agulhas e linhas. Ela trabalha com internet e passa bastante tempo conectada a meios eletrônicos. “Essa atividade paralela relaxa a mente, me conecta a meu corpo. Atividades manuais ajudam a desenvolver habilidades motoras que vêm sido esquecidas”, sintetiza.

Outra questão relevante é que, no passado, as mulheres eram obrigadas a aprender e, hoje, costurar é uma opção, uma diversão, um entretenimento.



“Nas aulas, costuramos, conversamos e trocamos informações. É um momento de reconhecimento, onde as alunas podem ser elas mesmas e fazer algo por si”,

considera Thayna Figueiredo de Oliveira (acima), instrutora no Ateliê Rainhas da Costura.

Assim, os trabalhos manuais se tornaram um alívio no dia a dia desgastante. Menos pressionadas, as mulheres conseguem expressar melhor os sentimentos e o que desejam. “Todas têm criatividade, o que fazemos é incentivá-las”, acrescenta Thayna.

Além de amenizar o estresse e estimular o autoconhecimento, o hobby ainda oferece outra recompensa: a socialização. Existem diversos grupos de tricoteiras, crocheteiras e bordadeiras que se reúnem com propostas variadas, desde bater papo e compartilhar técnicas até fazer ações sociais.

Camila faz parte do Coletivo Agulha, que realiza arte urbana com crochê e tricô, conhecido como yarn bombing. Os encontros acontecem uma vez por semana para produzir materiais para as intervenções, que colocam cor em espaços dominados por concreto.

“Têm pessoas que perguntam se eu faço crochê para poste, para serem engraçados. Eu respondo que sim, mas parte do crochê que fazemos para as intervenções acaba virando aquecimento para pessoas que estão em situação de rua”, comenta.

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